terça-feira, 17 de novembro de 2009

Andanças

Categoria – cogitações apenas

Voltar nem sempre é fácil, principalmente se você se distanciou demais.
Às vezes na vida andamos por caminhos que nos levam para longe de nós mesmos, para longe de nossa identidade. Perdemos o rumo, nos distanciamos do alvo que queríamos atingir e quando notamos estamos distantes do próprio Deus da vida.
Voltar é necessário. Mas como? Boa pergunta, já que vivo voltando das minhas andanças pelas trilhas da minha mente irrequieta. Às vezes consigo recobrar o ânimo e volto rápido, outras vezes demoram-se anos a fio para recomeçar a caminhada de volta para casa.
Mas, o importante mesmo é dar o primeiro passo, um passo atrás do outro e ter a certeza de que o Pai estará de braços abertos para dizer: “Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado” – Evangelho de S.Lucas 15.24.
Todos nós em algum momento, ou, em alguma coisa nos distanciamos e nos perdemos. Que Deus nos ajude a se encontrar.

João Ferreira Leite Luz

sábado, 14 de novembro de 2009

Católicos e protestantes

Categoria – reflexões

Já me perguntaram por que eu não antipatizo os cristãos católicos como a maioria dos protestantes pentecostais.
Minhas razões não são simples, mas vou tentar explicar. Acredito que tantos os cristãos católicos como cristãos protestantes (evangélicos) estejam no mesmo caminho apenas separados por rótulos. Porque do mesmo jeito que tem um monte de coisa feia e errada no catolicismo, também o há no protestantismo (evangelicalismo se preferir).
Se você estiver em pé sente-se, pois vou mais longe ao dizer que em muitos aspectos os católicos saem na frente dos evangélicos (olha que sou aprendiz de pastor evangélico pentecostal).
Se no catolicismo existe idolatria às imagens, no nosso meio há também - e das grossas, pois idolatramos pastores, missionários, “profetas” e por aí vai.
Se nossos irmãos católicos crêem no poder da água benta, nós fazemos do óleo ungido quase um deus engarrafado. Isso só para falar de coisas básicas.
É fácil falar do quintal dos outros, por isso decidi falar do meu próprio quintal denominacional.
Quem sou, católico ou evangélico? Nenhum dos dois já que detesto rótulos. Sou apenas que tenta de alguma maneira seguir o exemplo do carpinteiro de Nazaré. E que Deus me ajude!

João Ferreira Leite Luz

domingo, 8 de novembro de 2009

Confissões de um triste

Categoria – confissões

“Se queres ser feliz amanhã, tenta hoje mesmo”.
Liang Tzu

Dizem que a felicidade é um estado de espírito, consequentemente a tristeza também é um estado de espírito.
Então nesse sentido, a somatória dos momentos bons ou ruins é quem define nosso estado de felicidade ou tristeza.
Ultimamente tenho sido um triste. De repente percebi o tamanho da minha insignificância e fragilidade.
Infelizmente a assertiva de Ésquilo estava correta: “Triste sorte do ser humano; sua felicidade assemelha-se a um leve esboço; chega à infelicidade, passa a borracha e o desenho se desfaz”.

Que Deus tenha piedade!
João Ferreira Leite Luz

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Expectativas

Categoria - cogitações apenas

Deus só tem as expectativas que nós geramos nele, e nada mais. Em outras palavras ele não exige nada que não possamos dar, ou fazer.
Ele não quer que eu tenha uma super espiritualidade, apenas quer que eu faça bem feito, o melhor que eu puder. O meu melhor não pode ser grande coisa, mas, se for o meu melhor ele aceita.
Portanto, aceitemos o conselho do grande gênio da língua portuguesa:

“Para se grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui,
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”.

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

Sei que não é fácil, contudo, vamos tentar.

Que Deus nos ajude!
João Ferreira Leite Luz

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Anônimos

Categoria – cogitações apenas

“O santo não ama a propaganda... Quanto mais em sintonia com Deus, mais discreto e humilde é”.
Frei Jorge E.Hartmam

Discrição. Parece-me que estamos vivendo uma espécie de extinção de líderes que buscam a grande virtude da discrição. Vivemos um período da história em que os pastores querem aparecer na mídia a todo custo, querem alavancar o crescimento de suas igrejas nem que para isso tenham que vender a alma ao diabo.
Uma busca insana de títulos, cargos, posições; fama e sucesso que ludibria os menos avisados.Fiquemos com o conselho de S.Francisco de Assis: "O homem vale o que é diante de Deus e nada mais".
O carpinteiro de Nazaré sempre procurou andar com discrição, sempre longe dos aplausos humanos, das luzes da ribalta.
Acredito que aqueles que precisam propagandear sua espiritualidade e seu poder, ainda não entenderam nada a respeito de Jesus.

Que Deus nos ajude!
João Ferreira Leite Luz

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pós-modernidade, fariseus, cristianismo e muita hipocrisia

Categoria – reflexões

É impressionante como nos achamos bons se comparados a outros. De quando em vez ouço a frase: “Graças a Deus que nunca usei drogas como fulano”, ou, “Fiz coisas erradas, mas nunca roubei como sicrano”, e ainda, “Não sou tão pecador como beltrano”.
Fica fácil nos acharmos bons ou santos quando nos comparamos as outras pessoas, entretanto, nos esquecemos do detalhe mais importante – somos tão miseráveis e pecadores quanto aos demais.
Diante de Deus os pecados são todos iguais, consequentemente, não existe pecador grande ou pecador pequeno - todos são pecadores simplesmente. Portanto, os pastores, padres e líderes de qualquer religião são tão pecadores quanto os viciados em drogas, quanto aos homossexuais, quanto a qualquer um, inclusive eu.
A pergunta é quem tem o maior pecado? Paulo, o apóstolo responde: “Esta afirmação é fiel e digna de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior”. I Timóteo 1.15.
Se o apóstolo Paulo se achava o pior dos pecadores, porque os líderes da modernidade se julgam melhores?
Penso ser ridícula a postura de religiosos que se julgam melhores do que aqueles que não pertencem ao seu quintal denominacional.
O nosso parâmetro nunca deve ser o comportamento das pessoas, devemos nos avaliar pelos valores do carpinteiro de Nazaré.

Que Deus nos ajude!
Errare humanum est - errar é humano
João Ferreira Leite Luz

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O inferno, o céu

Categoria – cogitações apenas

O inferno pode estar mais perto de nós do que podemos imaginar, aliás, o relacionamento conjugal pode virar um inferno, a vida profissional no ambiente de trabalho pode se transformar no inferno. Pior, a própria vida pode descambar num inferno existencial.
Entretanto, o céu pode estar mais perto de nós do que podemos imaginar.
Aliás, cabe a cada um de nós escolhermos qual estilo de vida vamos adotar para nosso dia a dia.

Cogitatione
João Ferreira Leite Luz

domingo, 30 de agosto de 2009

Li e recomendo: "Direto ao ponto" de Ricardo Gondim

Alguns fragmentos:
"O significado mais profundo da narrativa bíblica é que Deus, na verdade, apostou na construção da história com a participação humana. Essa aposta, mesmo sabendo da fragilidade e das contingências do humano, foi verdadeira, nunca um jogo".
"A mensagem do evangelho não promete imunidade ou alívio das tribulações, mas bom ânimo; o frágil carpinteiro venceu na hora mais desolada"

domingo, 9 de agosto de 2009

"Na vida tereis aflições"

Categoria - reflexões

No meio da entrevista o apresentador fez a pergunta: “Como você se sente perdendo precocemente uma netinha com apenas um ano e oito meses de idade, e como se não bastasse ainda tem que cuidar do pai e da mãe que estão idosos e doentes?”. Fiquei espantado com a convicção da resposta que ela deu: “Sinto que Deus me dá forças para continuar”.
A história narrada acima é real, com pessoas comuns ao nosso dia a dia. A resposta que a mulher deu representa bem o que eu acredito. Que na caminhada Deus não nos oferece cuidados distintos dos que ele oferta aos demais, só por sermos cristãos. Deus na caminhada da vida nos oferece a mão quando caímos; oferta-nos o ombro quando precisamos de conforto, nos dá sua presença em todos os instantes.
Não acredito que Deus cuide mais dos crentes e menos daqueles que não o são. Porque assim Deus estaria traindo um de seus atributos – Deus é justo, e se no exercício de sua justiça ele privilegia uns em detrimento de outros, nesse caso ele estaria fazendo distinção de pessoas o que no mínimo indicaria uma divindade manhosa.
Acho uma aberração essa mensagem evangélica triunfalista que nos oferece uma espécie de carta de alforria de problemas. Antes creio num Deus que ama a todos indistintamente e que não fica interferindo em tudo, mas que junto conosco, ao nosso lado constrói a história permeada por contingências.

“Eu estarei convosco todos os dias” - Jesus Cristo.
João Ferreira Leite Luz

domingo, 2 de agosto de 2009

Filhos de Deus

Categoria – reflexões

Aprendi nas igrejas que só os que fazem parte do seu círculo religioso é que são filhos de Deus. Hoje, entretanto, discordo. Penso que todos, indistintamente todos, são filhos de Deus, e acrescento que são filhos queridos. Desde o Papa sentado sobre a maior autoridade da cristandade, passando pelo mais distinto dos pastores e líderes religiosos até o mais incrédulos dos ateus. Deus é Pai da virgem e da prostituta, e mais, Deus ama a todos com amor gratuito, ou seja, sem pedir nada em troca.
Os mais fundamentalistas vão me lembrar do texto de Romanos 8.14 em que se lê:
“... porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus...”, querendo dizer que apenas aqueles que fizerem uma profissão de fé é que são aceitos como filhos.
Não quero causar nenhuma tensão, quero apenas dizer que todos são sim, filhos de Deus, mas que apenas aqueles que nutrem um relacionamento, um estilo de vida em comunhão com o Espírito de Deus, é que se percebe como filho amado de Deus Pai, como afirma o versículo 16 de Romanos oito: “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.
Uma vez que não se faz necessário estar ligado a qualquer instituição religiosa para ter um relacionamento com Jesus e o Espírito de Deus, posso afirmar que Deus possui muitos, muitos filhos fora do arraial das igrejas institucionalizadas.

Aba - paizinho
João Ferreira Leite Luz

domingo, 26 de julho de 2009

Perguntas, perguntas e mais perguntas...


Categoria – reflexões

“Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem à vida e muda todas as perguntas”.
Luís Fernando Veríssimo

O frenesi era crescente; a energia crepitava no ar, a emotividade estava à flor da pele quando o pastor anunciou que um anjo de Deus estava no culto com uma espada flamejante e afiada para desfazer todos os males dos casamentos “emacumbados”.
Achei um acinte tal afirmação, melhor, infantil e descabida. Entendi nas entrelinhas dessa afirmativa que levamos 10, 15, 20 anos para destruir um casamento, e depois fazemos uma campanha de sete sextas-feiras, e pronto, Deus manda um anjo com espada na mão para desfazer a “macumba”, o feitiço, o mantra. Que absurdo, estamos oferecendo respostas tão simplistas que desafia o bom senso até dos néscios.
Na vida não existe solução fácil, Deus não resolve problemas com fórmulas mágicas, nenhum pastor, padre, monge budista ou qualquer que seja o líder religioso possui uma espécie de vara de condão que basta um clique e pronto, está tudo resolvido.
Nossa mensagem tem sido medíocre, pois está respondendo a questões irrelevantes que ninguém mais faz, e está deixando de tentar responder às questões essências ligadas à realidade crua do dia a dia do ser humano.
Na verdade, as perguntas mudam de acordo com a época em que se vive, e, também de acordo com a realidade em que se está inserido. É irresponsabilidade ficarmos debatendo questões fúteis da idade média para resolvermos nossos dilemas teológicos hoje em plena pós-modernidade, ou, tratarmos nossos problemas como se tratam de problemas nos Estados Unidos. Cada pergunta (dilema) vive uma realidade própria do seu contexto, por isso acredito que não existe resposta pronta, teologia é um labor que está por fazer, ou seja, à medida que surgem novas questões se faz a necessidade de novos pensamentos em busca de respostas que possam no mínimo indicar um caminho, porque nem sempre é possível responder a tudo.
Se você está à busca de respostas seja bem vindo, eu também estou nessa trilha. Não posso te oferecer muita coisa, mas vamos pensar juntos. E que Deus nos ajude!

“Nós devemos esperar, portanto que o futuro talvez nos instrua, por novas experiências e novos conceitos, sobre forças ainda escondidas em nosso eu pensante”.
Kant

João Ferreira Leite Luz

domingo, 19 de julho de 2009

Repensando conceitos - um lugar de inquietações e reflexões

Categoria – reflexões

“A água corre tranquila quando o rio é fundo”.
William Shakespeare

Reflexões do latim – reflexione – ‘ação de voltar para trás’. Reflexão, portanto pode ser arte de repensar conceitos. Gosto do pensamento de Walter Lippmann: “Quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando”, e também de Alexander Graham Bell:
“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até os outros foram”. Daí eu acreditar que não somos vacas de presépio, ou que temos que pensar como pensam a maioria. Chega de frases de efeito, jargões, frases prontas e fórmulas enlatadas.
Não me julgo dono da verdade, guardião da sã doutrina ou coisa parecida. Contudo, não posso ficar quieto diante de pensamentos, conceitos ou doutrinas que escravizam o ser humano, aliás, sou contra tudo que rouba a vida das pessoas.
Nesse meu espaço - repensandoconceitos- tenho escrito diversas coisas, sei, contudo que posso escrever besteiras e venha me arrepender mais tarde. No entanto, acredito que é só assim que se aprende, ou como disse o grande poeta da língua portuguesa: “Não se aprende, Senhor, na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo tratando e pelejando” (Luís de Camões). Por isso não posso ficar de braços cruzados vendo a banda passar.
O grande mal da atualidade é que pelo fato de nossos pensamentos estarem engessados, presos a estruturas rígidas, temos como consequência que “as pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos” (Mário de Andrade).
Estamos oferecendo respostas irresponsáveis e de uma lógica simplista, sem mencionar aqueles que acham que têm respostas para tudo, a esses eu recomendaria o conselho de Luís Fernando Veríssimo: “Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem à vida e muda todas as perguntas”.
Enquanto nós os cristãos oferecemos respostas fáceis e mágicas para os dilemas da vida, o maior bem de Deus perece – a humanidade, seus filhos queridos.
Não pretendo ter as respostas mais corretas, nem ao menos quero competir com os demais, só quero expressar o que penso.

Que Deus nos ajude!
“Cogito ergo sum – Penso logo existo” (Descartes)
João Ferreira Leite Luz

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O albergue


Categoria – minha história

Alamedas; Túmulos, lápides, velas e vasos com flores. Sim, falo de um cemitério. Lugar de tristezas e lembranças doidas, e que de dia já é lúgubre, imagine de noite à alta madrugada. Pois minha mãe num de seus momentos de muita luta e pobreza já dormiu diversas noites no lar dos mortos, fez do cemitério um albergue para repousar com seus filhos mal alimentados.
De fato, a vida de dona Maria não foi nada fácil, contudo, venceu. Criou seus oito filhos sem nunca roubar ou prostituir, ao contrário, trabalhou muito de empregada doméstica e de lavadeira de roupas. Foi submetida a diversas humilhações onde trabalhou para pessoas ricas de sobrenome importante, mas com nenhum senso de humanidade.
Muitas vezes quando na vida me sinto desanimado olho para vida de minha mãe, e este lenitivo me basta.
“Maria, bendita és tu entre as mulheres”. Viveste dignamente e tua história me comove, inspira e desafia.
Percebo-me pequeno, quem me dera ter a metade de tua força e ser metade do que tu és.
Mãe. Reverencio tua grandeza.

O menor de teus filhos,
João Ferreira leite luz

domingo, 28 de junho de 2009

Miseráveis à porta da misericórdia de Deus

Categoria – confissões

“Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados”.
(Ney Matogrosso em Sangue Latino)

Sou miserável, sem constrangimentos assumo minha condição de miserável pecador.
Assumo os pecados - que são muitos -, e acredito no Senhor Deus dos desgraçados, aliás, penso que Jesus seja essencialmente o Deus dos falidos, dos fracassados, dos excluídos e marginalizados pela sociedade.
Depois de muito tempo dependendo da minha própria justiça, depois dos incontáveis fracassos da minha alto piedade, estou aprendendo a ser dependente da graça divina.
Em determinada ocasião Jesus disse que não veio para chamar os justos, e sim os pecadores ao arrependimento, e que quem precisa de médico são aqueles que estão doentes e não quem está são. (Evangelho de Marcos 2.17).
Portanto, abandonei minha falsa ideologia de religioso todo certinho e me tornei um “desgraçado, digno de compaixão, cego e nu”, para de alguma maneira alcançar graça, misericórdia, colírios para meus olhos e roupa para minha nudez. (Apocalipse 3.17).
Quero, portanto, solidarizar-se com os que tropeçam, e com os que não alcançam os padrões de santidade exigidos pela religião. Quero ser amigos de pecadores; prostitutas, homossexuais, dependentes químicos e “jantar com publicanos”. (Evangelho de Marcos 2.15-16)
Penso que os pecadores mais miseráveis são aqueles que nunca transgridem, pois assim também nunca experimentam a graça de serem perdoados.
Pobres religiosos que nunca erram, jamais saberão o gosto do abraço afetivo do Pai quando afaga o filho perdido que volta ao lar.
Minha prece, portanto se torna essa:
Pai bendito eu estou mais uma vez de coração angustiado de volta ao lar, “já não sou digno de ser chamado seu filho, faze de mim como um de seus empregados”. Amém! (Evangelho de Lucas 15.21-24, parábola do filho pródigo).
E todos nós sabemos o resto da história.

Miserere cordis, miserandus, a, um – Misericórdia Senhor, Ah! Mísero que sou
João Ferreira leite Luz

domingo, 21 de junho de 2009

O estranho

Categoria – confissões

Estávamos a caminho, contudo, de repente surpreendeu-me a ferocidade dos sentimentos que permeava minha alma. Percebi então a fugacidade de minha existência.
Compreendi que caminhava todo tempo com um estranho, triste percepção, pois os dois que caminhavam era eu, conheci o outro eu, assumi meu lado estranho.
Utopicamente nutrimos a noção de integridade plena, somos todos dois, muitas vezes três ou até mais vivendo dentro de nós. Acredito na assertiva de Dietrich Bonhoeffer: “Quem sou eu? Este ou aquele? Sou eu um hoje, e outro, amanhã? Sou ambos eu ao mesmo tempo?”.
Luto para vencer a dualidade do meu próprio ser, só que nem sempre obtenho sucesso. Assim caminho, procurando ser o melhor dos que existe em mim. Que Deus me ajude!

Kyrie eleison – Senhor, tende piedade
João Ferreira Leite Luz

domingo, 14 de junho de 2009

Procurando ...

(Categoria – minha história)

Estou procurando saber quem sou, aliás, aos trinta e dois anos de idade ainda estou começando a arranhar o verniz da superfície desse mistério. Cada dia surpreende-me deparar comigo mesmo, e corro o sério risco de não descobrir muita coisa. Mas uma coisa eu posso afirmar com certeza - sou quem busca um sentido, um porto, ou nas palavras do grande gênio da língua portuguesa - Fernando Pessoa:

“Ficamos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objeto cujo fim é navegar; mais seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontramo-nos navegando, sem a idéia do porto que deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonaltas: navegar é preciso, viver não é preciso”.

Portanto, prefiro ser "um caderno cheio de rabiscos mal corrigidos a uma suma acadêmica". Paradoxalmente sou assim, cheios de ambiguidades, sempre buscando um porto para ancorar um sentido para a fugacidade da minha vida.
Não tenho muita certeza do que estou fazendo, e nem aonde vou chegar. Contudo, continuarei procurando, não porque vai dar certo, mas porque acredito que vale a pena. E como disse o grande poeta: “Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Que Deus me ajude!
Navigare necesse; vivere non est necesse – navegar é preciso, viver não é preciso
João Ferreira leite Luz

domingo, 7 de junho de 2009

Estranhamente humano

(Categoria – devaneios)

Almejo uma teologia
Que me torne mais íntimo
de Deus, e estando próximo
de Deus quero me sentir
menos divino, menos santo; menos
ungido. Estranhamente quero me sentir
mais humano, mais perto da humanidade.

João Ferreira Leite Luz

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Paradoxos

(Categoria – devaneios)

A vida é sem dúvida um grande paradoxo.
E talvez assim, nunca conseguimos nos encontrar.
Talvez, estamos esperando um grande milagre, ou;
Talvez, outro “big-bang”;
Talvez, outro “tsunami”;
Talvez, outro “Katrina”,
Talvez, outra inundação em Santa Catarina; ou quem sabe outra catástrofe qualquer.
Mas ainda, um talvez. Assumir nosso papel no Reino.
Parar de gravitar ao redor dos próprios problemas.
Nossa vida terá mais significado e será menos
paradoxal quando nos rendermos ao Cristo e sua causa.
E a causa de Cristo foi essencialmente cuidar da humanidade
em seus sofrimentos.

João Ferreira Leite Luz

domingo, 31 de maio de 2009

Felicidade

(Categoria – confissões)

Simplicidade,
Já fui um cara simples.
Simplicidade, felicidade. São duas irmãs que moram na mesma casa.
Tento preencher meus vazios com coisas, atividades, novidades, trivialidades.
Mas o que me falta mesmo, de fato, é a simplicidade.
Simplicidade dos tempos antigos. Tempos em que a vida era menos complicada, menos abastada, menos fatigada.
Tenho saudades, saudades do tempo que passou e não volta mais, do "tempo em que era feliz e não sabia".
Do tempo de empolgação de criança, de esperança de criança, do brilho nos olhos de criança. De simplicidade de criança.
Simplicidade, felicidade. São duas irmãs que moram na mesma casa.
Hoje minha maior busca é de ser uma pessoa simples, porque assim talvez a felicidade venha morar comigo.

João Ferreira Leite Luz

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pequenos detalhes


(Categoria – devaneios)

Deus está na simplicidade do sorriso sapeca da criança;
Deus está na leveza, agilidade e beleza do vôo do beija flor;
Deus está no bailar colorido das borboletas;
Deus está no vento que sopra no crepúsculo de uma tarde fria;
Deus está na chuva que nos apanha no meio do caminho;
Deus está na sinfonia dos pardais sobre as árvores a cada nova manhã;
Deus está nos acordes da boa música;
Deus está aqui, está aí, está em todos nós, e em todos os lugares.
Só não percebe Deus quem está embriagado com o Deus das grades coisas.

Obs: Esse "mala" de sorriso sapeca é o João Elias, meu filho do meio.
João Ferreira Leite Luz